Quarta-feira, 21 de Março de 2012

Jantar-Conferência com Luis Adão da Fonseca - 28 de Março de 2012


O próximo convidado da Plataforma pensar Claro é Luis Adão da Fonseca, Professor Catedrático na FLUP, que nos vem falar sobre as crises na História de Portugal. A não perder! É já na próxima 4a Feira dia 28 de Março. Inscrições pela página da Plataforma Pensar Claro no Facebook ou pelo p.pensarclaro@gmail.com

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Cúmulo do ridículo

O meu Google Chrome não me deixa aceder ao Gmail...

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Sobre dívida pública

Às luminárias que recomendam a bancarrota para os endividados:

- em 1892 Portugal entrou em falência;
- em 1902 a dívida portuguesa foi reestruturada;
- a última prestação da dívida reestruturada foi amortizada em 2001 (!!!!!);
- entre 1902 e a década de 60 Portugal não conseguiu contrair um único crédito fora de portas; a Monarquia tentou e não conseguiu, a I República tentou e não conseguiu, Salazar tentou quando entrou e não conseguiu e daí seguiu para a autarcia e a integração portuguesa das províncias ultramarinas.




Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Religião, o ópio do Povo

Publiquei hoje este texto no bloque "A Cigarrilha de Chesterton" e deixo-o também aqui.

Alguns pensadores já tinham associado o ópio à religião e Hegel foi o primeiro a cunhar a celebérrima "religião é o ópio do povo" mas é de Marx que o Mundo inala o seu significado mais lato.

Maquiavel havia recomendado ao "Príncipe" o cultivo da religiosidade para ânimo do povo e desde sempre políticos, muito conscientemente, empregaram a religião com propósitos aglutinadores e de diversão.

Com mais ou menos cedências clericais, o que é certo é que esta é uma manobra de domínio do Estado sobre a Religião mas a contemporaneidade lê na máxima hegeliana uma culpa de sentido inverso. E tem razão!

A culpa não é institucional mas sim do povo religoso, simplificando, da massa cristã anónima. O povo é alienado pela religião porque não tem consciência crítica da sua relação com Deus. A religiosidade da maioria dos cristãos é meramente ritualista, vazia de significado e oca de interesse.

(Numa sociedade do descartável, a velocidade do uso só permite apreender a forma, negligenciando-se, por contingência de esforço, o conteúdo)

E é claro que uma religiosidade ritualista pode ser aproveitada pela política. Um ritual alimenta-se a si próprio: o seu cumprimento justifica evitar-se o seu incumprimento; a ansiedade sedentária no seu incumprimento justifica o seu cumprimento.

A religião é um caminho do Homem para Deus. Um povo que vive a religião apenas formalmente, não está a percorrer o caminho: parou. E porque parou, distrai-se com as montras.

Se os cristãos cumprissem os desígnios de Jesus e lutassem diariamente pela melhoria da sua vida interior e da relação com os irmãos, paulatinamente a sua actividade religiosa seria mais intensa e segura de si mesma e a religião não seria ópio mas apenas o caminho a que se propõe.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Estado Ideal

As preferências políticas de Platão são conhecidas. Organizaria uma polis do seguinte modo: à sua cabeça estaria o Filósofo-Rei, aquele que é capaz de alcançar a Verdade que habita no mundo das Ideias e apenas ao alcance dos filósofos; os Guardiões assegurariam a segurança interna e a protecção externa; e os Trabalhadores conceberiam os bens e serviços para a sociedade.

O regime é este embora a sua justificação seja mais extensa. Trata-se de uma Aristocracia na acepção helénica, original: o poder dos melhores. A degeneração política desembocaria, em ordem crescente de doença, no seguinte: Timocracia, o poder dos Nobres (o menor dos males); Oligarquia; Democracia; e Tirania.

Animado por estas proposições, também eu apresento o meu estado ideal: a Teocracia em que o Clero administra espiritualmente e as comunidades, chefiadas pelos seus pastores, se organizam materialmente, ordenando assim esse grande convento que seria o Mundo. Não haveria governante porque o Santo Padre é o representante de Cristo na Terra.

Não é utópico mas é difícil; isto é uma declaração e não uma explicação. As utopias não são irrealizáveis: o que existe é preguiça e ganância. Tudo é possível.

A Democracia é o demónio da política, da sociedade e da intelectualidade no geral. Notoriamente não figura nas minhas preferências políticas. E eu podia dizer tudo isto em qualquer regime, escusam de tentar atirar-me aquela fábula do "só podes ser anti-democrata porque estás em democracia". O que importa é assumir as consequências, isso é que é liberdade.

Como dizia D. Manuel Falcão, Bispo de Beja, o comunismo é uma "ideologia simpática". O comunismo é uma forma exacerbada de Absolutismo. Pelo menos o comunismo prático: a sucessão soviética fez-se por filhos ou "enteados" políticos. Mas para os mais cépticos, atentai na Coreia do Norte. E acompanho D. Manuel Falcão porque gosto do Absolutismo; e ao contrário daqueles que regurgitam "gostas do Absolutismo se fores tu o Rei" eu solicito a sua atenção para a vida em família, uma simpática forma de Absolutismo dos tempos modernos; eu sou filho, note-se. "Gosto disto".

E também me merece a mais profunda estima o Feudalismo. Agora os críticos mais acirrados dir-me-iam que estou em contradição: como posso estimar simultaneamente o Feudalismo e o Absolutismo, o "primus inter pares" e o "l'Etat c'est moi"? Quem disse que era em simultâneo? Platão organizou os regimes e eu também tenho o meu pódio: em primeiro lugar a Teocracia; mas sei que o Homem é tentado, conforme escrevi acima, pela preguiça e pela ganância pelo que o menor dos males seria o Absolutismo. À falta de melhor venha o Feudalismo se bem que com tamanha multidão de poderes a estabilidade dos Povos vê-se ameaçada por cartéis espirituais, pseudo-intelectuais e materiais, senão repare-se que um dos grandes veículos dos Protestantismos ou do Iluminismo foi a Nobreza. Mas, mais uma vez, respeito o Feudalismo: quando não há capacidade de centralizar o poder valem mais os pequenos absolutismos do que a Democracia que é lixo.

O grande problema da teoria política é a vigilância dos poderes ("quem guardará os guardas?", adaptando o espírito da retórica), resolvido que está, acham, a questão da organização política das sociedades. Apregoa-se a descentralização e os regionalismos, exigem-se reformas administrativas profundas e os órgãos de soberania tornam-se feiras: meus caros, o mal não está na centralização mas sim na corrupção; e entre a corrupção e a centralização ainda está a ignorância do terreno. Por muito honesto que seja o nosso governante, no geral não sabe o preço do café... para bom entendedor meia palavra basta.

Compreendo o "bom selvagem" mas não suporto as teorias que defendem que o Homem é honesto até ser exposto à tentação: se é assim tão bom não devia ser mau, "a árvore boa dá bons frutos". Só em quem não tem a certeza naquilo em que acredita é que as tentações surtem efeitos.

Não gosto de Maquiavel e todos os dias tento convencer-me que o que ele escreve é mentira porque abomino que se exponha o mal dos outros em tão grande edital. Maquiavel ofende a Humanidade pela desabrida forma com que a acusa de deslealdade. Mas talvez este tenha razão. Vejamos um exemplo familiar de maquiavelismo político (atenção que maquiavelismo não é maldade mas sim teoria política de Maquiavel): o Estado Novo (já Pombal é maquiavélico não por seguir Maquiavel mas por ter sido um indivíduo maldoso). O professor António de Oliveira Salazar sabe que os seus seguidores podem ser tentados, desconfia da sua lealdade; até António Ferro conheceu isso, já para não falar de Aristides de Sousa Mendes, um homem da confiança de Salazar mas que desobedeceu às directivas. O Estado português era mais importante do que as relações entre os ministros e os homens do governo propriamente ditas; a população portuguesa precisava de confiar absolutamente no seu Governo e o concerto não podia desafinar por melhor que fossem as intenções pessoais. No maquiavelismo político não há "brainstormings" de gabinetes, não há originalidade e diversão, não há psicoterapia de grupo nem vitórias pessoais muito menos iniciativas particulares: há o Estado e os seus servidores.

Não gosto de Maquiavel porque quero discrição na crítica o que não mais é do que caridade e respeito pela imperfeição que nos pode tocar também. Mas reconheço-lhe todos os méritos políticos na sobrevivência do Estado e alguns dos seus intérpretes, como Salazar, souberam tornar-se mais discretos.

Mas ninguém me tira que se eu fosse muçulmano seria iraniano. Mas pela graça de Deus sou católico numa Europa secular, laica nas parangonas (melhor, anti-cristã), libertária e contrária à verdadeira liberdade.

A Liberdade é um estado espiritual e não físico e dependente do próprio, não de terceiros. Somos livres quando sabemos distinguir a bondade e a maldade de um acto suportando as respectivas consequências. Não somos livres quando fugimos às responsabilidades nem quando ignoramos o que fazemos.

Este é o nosso tempo por muito que idilicamente o rejeitemos. Provavelmente não conseguiremos fazer retornar o Feudalismo; dificilmente instalaremos o verdadeiro Absolutismo e ainda mais a Teocracia. Mas a utopia não é irrealizável.

Confio na honestidade do ser humano, a Teocracia só funcionará se não houver interesses pessoais nas chefias.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Fotogramas do Mundo

Gosto de cinema sem ser cinéfilo. Mas não sendo cinéfilo respeito a hierarquia cinematográfica e também acho que há filmes de culto os quais devem ser atentamente visionados, pelo menos ao mesmo tempo que nos contaminamos com toda a bodega que se produz para o "grande ecrã"; é uma boa forma de nos mantermos à tona da salubridade intelectual neste campo artístico.

Talvez esta consideração pelos filmes míticos, pelos seus grandes vultos me venha menos de gostar de cinema do que ser um pseudo-feudalista, um proto-absolutista e um daqueles indivíduos que concilia ideologicamente a Caridade cristã e o imperialismo militar e político.

A actualidade mundial é um bom filme de uma forte história dramática apesar de ser mais uma das incontáveis sequelas da crise-tipo do declínio de uma civilização. Mas animemo-nos: é o fim de uma civilização odiosa (falo das sub-culturas europeia e norte-americana dentro da civilização ocidental, as quais têm alguns satélites sul-americanos, africanos, asiáticos e na Oceânia) desde a sua mais funda estrutura ideológica até ao mais exterior revestimento comportamental, pouco escapa ao crivo do Bem e o que sobra está enfermado por um mau suporte. Noutros textos esclarecerei a minha posição quanto à civilização ocidental mas agora tenho compromissos.

Animemo-nos também por esta ser a nossa crise, a nossa revolução e a nossa imperdível oportunidade!

Uma crise, já o diziam os gregos, não é regressão mas transição.

De volta

Penitencio-me pelo meu longo hiato na PPC.


Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Boicote a quem faz boicote ao Pingo Doce

Porque o grupo Jerónimo Martins:
1. emprega cerca de 30.000 pessoas em Portugal e mais de 60.000 em todo o mundo
2. vai continuar a pagar os seus impostos - e os mesmos - em Portugal
3. deu um bom exemplo a todas as empresas portuguesas de como gerir o risco soberano

e sobretudo porque:
estamos fartos de slogans idiotas e de supostas causas, que a serem seguidas apenas contribuiriam para empobrecer ainda mais Portugal, decidimos fazer BOICOTE A QUEM FAZ BOICOTE AO PINGO DOCE

Sábado, 31 de Dezembro de 2011

As avós e os beijos dos campos

"A minha avó, pequena e fina sob um turbilhão de bonitos cabelos brancos, era uma ave presa por um polícia benevolente, mas ríspido. Cantarolava todo o dia, na sua cozinha, no celeiro, à beira do regato ao lavar a roupa, nos campos com o ancinho na mão e no bosque ao colher as amoras (...).
A vida junto dela era uma opereta melancólica, interpretada sem esperança de público no cenário vetusto da pobreza, por uma frágil Cinderela sobrecarregada de trabalhos e que nunca veria, nunca, o seu vestido cinzento tornar-se vestido de noite e as suas abóboras transformarem-se em carruagem
De noite sentava-me nos seus joelhos e murmurava-me uma canção de embalar da sua autoria, que dizia incansavelmente: "Tous là-bas, Tous là-bas, Tous là-bas, bas, bas; Tous là-bas, bas, bas, bas". Eram as únicas palavras da canção, que não durava menos do que um bom quarto de hora. Este tu-lá-bá repetido em todos os tons fazia-me sonhar, sorrir e dormir. A ela devo, provavelmente, ter suportado melhor do que quaisquer outros certas enumerações da liturgia, que alguns tendem a achar demasiado longas e que a mim pareceriam demasiado curtas. (...)
Nunca recebi dela senão biscoitos e carícias, aqueles bons grandes beijos do campo que saltam como rolhas de champagne, e nunca a vi irritada, nem sequer de mau humor. (...)
Morreu não muito velha, longe disso, da doença que outrora se chamava anemia perniciosa e que por ter recebido depois um nome mais científico não deixa de ser menos inexorável.(...)
Tinha sido transportada ao hospital (...). As religiosas do hospital, sabendo o estado da doente, tinham-na instalado num quarto muito amplo, que dava para um jardim através de uma alta janela sem cortinas. Toda ela era brancura sob os cabelos brancos, ainda mais pequena e como que apertada no meio da cama que ela não ousava ocupar completamente, mas não mais revoltada, nem menos delicademente acolhedora, apenas um pouco mais distante, espantada por ser servida e por estas senhoras instruídas, que de vez em quando entreabriam a porta e retiravam-se sem que ela encontrasse algo para lhes perguntar.
Não se preocupava mais consigo mesma do que habitualmente e as suas palavras foram de compaixão pelos sofrimentos de um outro. Os seus olhos enfraquecidos, que já não conseguiam ler, fixavam-se muitas vezes num crucifixo pendurado na parede, em frente da cama. Um dia, e foi o seu último dia, olhou-o longamente e disse, mais distante do que nunca de pensar na sua própria sorte: "Ah, coitado do homem", no tom de piedade delicada, último pipilar da ave esgotada, chegando a saltitar ao fim do ramo que ia partir-se."

Frossard, André. Deus existe, eu encontrei-o

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

O Porquê do Jantar dos Conjurados






Tenho lido na internet algumas críticas aos jantares organizados pelas reais associações, em particular ao jantar dos conjurados, daí escrever este pequeno apontamento, no qual sintetizo a minha opinião.



Em primeiro lugar, o jantar dos conjurados é a perpetuação da memória histórica; da memória de indivíduos que arriscaram tudo o que tinham (e alguns deles tinham muito) em prole do bem comum. Os conjurados eram fidalgos de antiga linhagem, possidentes, que podiam ter pactuado com D. Filipe e, consequentemente, retido a sua influência na corte e na sociedade da época. Optaram por não o fazer. Optaram por arriscar uma morte dolorosa e humilhante, a perda de todos os seus bens, o conforto das suas vidas. É nosso dever, não só enquanto monárquicos, mas também enquanto portugueses, garantir que a sua memória perdura. É neste jantar, todos reunidos, que damos graças a Deus por ter levado a iniciativa dos conjurados a bom porto.



Em segundo lugar, o jantar serve um propósito mais prático e mais mundano: fortalecer os laços entre os monárquicos, através do convívio salutar, através da discussão de ideias, através da formação de novos conhecimentos e novas amizades. No jantar dos conjurados que decorreu no CCB estiveram presentes muitos jovens: alguns eram meus amigos, outros meus conhecidos e outros ainda não tinham sido apresentados. Fiquei a conhecer vários, troquei contactos, discuti a possibilidade de novas iniciativas, dei a conhecer a recém-reestruturada Juventude Monárquica do Porto da qual faço parte. Tudo isto faz parte do tão necessário “trabalho de base” para uma maior coordenação entre as várias reais associações e juventudes monárquicas.



Por fim, o jantar é ainda a oportunidade de travar conhecimento com SAR o Sr. D. Duarte — algo que havia feito há bastante tempo – e que tem sempre disponibilidade e paciência para ouvir opiniões dos monárquicos, dar sugestões, partilhar connosco a sua sabedoria que advém de longos anos ao serviço da Pátria.



Termino com uma nota aos que criticam o jantar com acusações de elitismo. Aos que criticam o preço, que olhem para as quantias que gastam em bilhetes para jogos de futebol, presentes de Natal e outros divertimentos frívolos e que olhem para dentro antes de criticar os que se esforçam para reunir os monárquicos num grande evento. Aos que criticam o traje, direi apenas isto: um jantar com a Família Real requer dignidade e protocolo. Se não entendem isto e sugerem que se vá cumprimentar SAR de calças de ganga e camisa por fora das calças, então demonstram uma falta de nível tremenda, já para não falar da mais básica das cortesias para com o Sr. D. Duarte. Aos que criticam o compadrio, tenho apenas a dizer que quanto mais unidos e próximos forem os monárquicos, maior será a força da nossa causa.



Saúdo SAR o Sr. D. Duarte, Duque de Bragança pela sua mensagem de realismo e de patriotismo, saúdo o Sr. Conde de Avintes (Dr. Luís Lavradio) pelo trabalho que tem feito em prole da Causa Real e saúdo os organizadores do jantar por um evento do qual os monárquicos se podem orgulhar.







Viva El Rey.


Henrique Sousa de Azevedo


Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

The Screwtape Letters

"Tomo nota de lo que dices acerca de orientar las lecturas de tu paciente y de ocuparte de que vea muy a menudo a su amigo materialista, pero ¿no estarás pecando de ingenuo? Parece como si creyeses que los razonamientos son el mejor medio de librarle de las garras del Enemigo. Si hubiese vivido hace unos (pocos) siglos, es posible que sí: en aquella época, los hombres todavía sabían bastante bien cuándo estaba probada una cosa y cuándo no lo estaba; y una vez demostrada, la creían de verdad; todavía unían el pensamiento a la acción, y estaban dispuestos a cambiar su modo de vida como consecuencia de una cadena de razonamientos. Pero ahora, con las revistas semanales y otras armas semejantes, hemos cambiado mucho todo eso. Tu hombre se ha acostumbrado, desde que era un muchacho, a tener dentro de su cabeza, bailoteando juntas, una docena de filosofías incompatibles. Ahora no piensa, ante todo, si las doctrinas son «ciertas» o «falsas», sino «académicas» o «prácticas», «superadas» o «actuales», «convencionales» o «implacables». La jerga, no la argumentación, es tu mejor aliado en la labor de mantenerle apartado de la Iglesia. ¡No pierdas el tiempo tratando de hacerle creer que el materialismo es la verdad! Hazle pensar que es poderoso, o sobrio, o valiente; que es la filosofía del futuro. Eso es lo que le importa.


¿Empiezas a coger la idea? Gracias a ciertos procesos que pusimos en marcha en su interior hace siglos, les resulta totalmente imposible creer en lo extraordinario mientras tienen algo conocido a la vista. No dejes de insistir acerca de la normalidad de las cosas. Sobre todo, no intentes utilizar la ciencia (quiero decir, las ciencias de verdad) como defensa contra el Cristianismo, porque, con toda seguridad, le incitarán a pensar en realidades que no puede tocar ni ver. Se han dado casos lamentables entre los físicos modernos. Y si ha de juguetear con las ciencias, que se limite a la economía y la sociología; no le dejes alejarse de la invaluable «vida real». Pero lo mejor es no dejarle leer libros científicos, sino darle la sensación general de que sabe todo, y que todo lo que haya pescado en conversaciones o lecturas es «el resultado de las últimas investigaciones». Acuérdate de que estás ahí para embarullarle; por cómo habláis algunos demonios jóvenes, cualquiera creería que nuestro trabajo consiste en enseñar.
Tu cariñoso tío,
Screwtape"

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

Daria vontade de rir, se não fosse tão triste...

"We are a prestigious company with strong family values, (...)

We are seeking for an experienced, mature and qualified professional, with previous and related experience, a high level, ideally in Secretariat or Assistance Management, easy in using informatic tools, fluency in Portuguese and English, age till 35 years old and high personal availability."

O link pode ser encontrado num famoso site de recrutamento de um jornal semanário.

Domingo, 18 de Setembro de 2011

Do ouro, da comunicação social, do Relvas, das campanhas a apelar ao sacrifício, de como a história se repete e repete...

Ao começar a ler "Salazar: a construção do mito" de Helena Matos (e com Noah and the Whale como música de fundo) é impossível não pensar que a história se repete e, no caso de Portugal, com uma velocidade arrepiante. Estamos em 1928.


Em 2011, começámos pelos "milionários", mas ainda chegaremos aos pobres:

"Sobretudo ainda se faz sentir a comoção gerada pela espontaneidade de certas atitudes individuais a que os jornais, sobretudo O Século, sempre pioneiro no lançamento de campanhas nacionais de campanhas nacionais e patrióticas, deram o maior destaque e incentivo: "Sou pobre, um velho trabalhador, camponês que vive do seu trabalho, porém, pronto a contribuir com três libras para o empréstimo. Parece-me que, se todos os bons filhos desta Pátria quisessem contribuir com este pouco, o seu gesto os dignificaria, tornando em judeus, os portugueses ingratos que lá fora pretendem morder as mãos da própria pátria."


O ouro de que precisamos, afinal não é o do Banco de Portugal:

"A rejeição do empréstimo externo exalta o nacionalismo, recuperando gestos que remetem para o imaginário de um arquetípico passado guerreiro. Tal como as romanas ofereciam o seu ouro à pátria em crise , também as mulheres portuguesas que se reinvindicam suas descendentes, por contraste com a "judiaria da finança estrangeira", se mostram dispostas a despojar-se do seu ouro: "Por intermédio d'O Século convido as mulheres portuguesas, ricas e pobres, a oferecerem à sua querida Pátria o ouro que lhes serve de enfeite, e que, sendo esse o seu efeito, dele poderão prescindir a favor do nosso querido Portugal, que jamais se poderá sujeitar a vexames ou armadilhas como a da hora presente. Por mim contribuo não só com uma parte do meu ordenado, como com o outro que possuo, e pena tenho que seja pouco" - propõe Maria Gonçalves de Sousa, a residir em Longra."


Bem dizia o Toninho das Botas: "Os senhores jornalistas são terríveis..."

P.S. - estava convencido de que antes do 25 de Abril, o mundo existia apenas a preto e branco, as mulheres viviam encerradas na cozinha e a Igreja Católica as tinha proibido de comprar jóias...

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

O CRAT - o C

O leitor incauto perguntar-se-à sobre o que raio é um CRAT. Na busca desesperada para encontrar um termo que defina um movimento conservador, reaccionário, autoritário ou tradicionalista, resolvi por fim baixar os braços, desistir, e entregar a um movimento sério e promissor uma temporária sigla pateta - C(onservador) R(eaccionário) A(utoritário) T(radicionalista).

Um movimento conservador baseia-se em 6 premissas:
1 - todo o edifício de pensamento conservador assenta na crença num Princípio Criador de todo o Universo, um Mestre Eterno com autoridade suprema sobre as leis materiais da Existência;
2 - a moralidade absoluta. Proveniente da experiência religiosa e social da comunidade, é inquestionavelmente a base da lei pública, e daí a necessidade da existência do Estado, que é o promotor principal do Bem Comum;
3 - o princípio fundamental da acção do Governo é balizado pelo princípio da subsidiaridade, presente na Doutrina Social da Igreja Católica, ou seja, a acção do aparelho burocrático supremo só se deve dar quando os organismos mais pequenos e pessoais (Família, Paróquia, Município, Empresa, Sindicato, Associação, etc.) falharem em providenciar à sociedade uma resposta eficaz que apazigúe a exigência de Paz Pública demandada pelo Bem Comum a toda a sociedade;
4 - o Estado deve preservar e respeitar a originalidade regional dos múltiplos centros de poder tradicionais.
Não só se impõe um reforço do princípio da subsidiaridade, como um movimento CRAT propõe toda uma nova perspectiva sobre o problema da soberania e os limites do poder estatal - o poder estatal absoluto criado pela Revolução Francesa e pelo Demo-Liberalismo, reforçados pelos Nacionalismos e pelos Socialismos e agora pelo Mega-Estado Europeu são aqui postos em causa e em cheque. Toda uma nova orgânica presta-se aqui a ser construída;
5 - anti-individualismo.
O limite pessoal em prol do bem da comunidade é mais valioso do que o esforço sobre-humano para vencer a todo o custo a competição que a Educação e a Mentalidade Moderna querem implementar nas mentalidades ocidentais. A Massificação e a Uniformidade são características Pós-Modernistas, a Heterogeneidade e a Unidade são os fundamentos da riqueza cultural e civilizacional Europeia.
6 - a procura por um equilíbrio sustentável entre a Liberdade pessoal e a liberdade das unidades tradicionais da sociedade. Este equilíbrio deve partir pela atribuição a cada indivíduo do máximo racional de liberdade. Esta Liberdade pauta-se pela felicidade individual e social, e não tem nada a ver com a suposta "liberdade para errar". No Erro não existe Liberdade, pois ele afasta a Dignidade e a Espiritualidade. No entanto, o princípio do máximo de liberdade racional não se prende a uma norma puritana ou a um Estado Totalitário Ultra-Moralista. Tal como afirma São Tomás de Aquino, o ser humano tem como dado inerente à sua existência a Culpa, o Pecado Original, e como tal, apesar de poder ser aperfeiçoado, não terá nunca a possibilidade de se tornar perfeito. Como tal, sendo o pecado parte natural do homem, tem o Estado obrigatoriamente de velar pelo seu bem mas ao mesmo tempo permitir que este possa conviver e aprender com os seus instintos pecadores, uma vez que esta é a sua natureza concedida por Deus.
Um Estado que proíba totalmente o pecado é uma negação do Homem e da Redenção.

Posta esta exposição, pergunta-se o leitor "Não é pois suficiente a denominação de Conservador para um movimento que pretende ser, antes de tudo, conservador?"Seria, não fosse a própria raiz da palavra inútil à vista da actualidade portuguesa. Já não há nada para conservar em Portugal. A Tradição ou morreu ou vai lutando quase desarmada contra um Estado poderosíssimo e uma Nova (a)Moralidade invencível e destrutiva. Os partidos conservadores portugueses são aqueles que, aceitando os preceitos da Revolução e do Materialismo, apenas pedem que se mantenha algum do status quo antigo, que lhes permita alguma da paz social mínima para manter alguma capacidade produtiva e as diferenças sociais que lhes agradam, não por sentido de dever patriótico mas sim por utilitarismo e vaidade pura. Um Movimento CRAT não é conservador. Nas Palavras de António Sardinha:
«Não somos conservadores - dada a passividade que a palavra ordinariamente traduz. Somos antes renovadores, com a energia e a agressividade de que as renovações se acompanham sempre. O nosso movimento é fundamentalmente um movimento de guerra. Destina-se a conquistar - e nunca a captar. Não nos importa, pois, que na exposição dos pontos de vista que preconizamos se encontrem aspectos que irritem a comodidade inerte dos que em aspirações moram connosco paredes-meias. É este o caso da Nobreza, reputada como um arcaísmo estéril em que só se comprazem vaidades espectaculosas. A culpa foi do Constitucionalismo que reduziu a Nobreza a um puro incidente decorativo, volvendo-a numa fonte de receita pingue para a Fazenda. Foge, cão, que te fazem barão!- chacoteava-se à volta de 1840. Mas para onde, se me fazem visconde?! E nas cadeiras da governança o cache-nez célebre do duque de Avila e Bolama ia esgotando os recursos do Estado em matéria de heráldica.»

E é precisamente esta peculiaridade que nos leva ao segundo elemento de um movimento CRAT, em análise no próximo texto: o T.

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Monarquia em Movimentação...


Confesso que há bastante tempo que não escrevo na página da Plataforma Pensar Claro, mais por laissez-faire do que por qualquer impedimento, contudo uma questão que me tem vindo a preocupar impele-me a escrever este texto: porque razão proliferam tantos movimentos monárquicos?

É indiscutível que o número de monárquicos tem vindo a crescer, o que, a meu ver, se deve tanto ao descontentamento e desapontamento generalizado com o fracasso que a república tem sido, como ao esforço concertado da Causa Real para promover o conceito de monarquia constitucional. Com efeito, a Causa e as Reais Associações têm vindo a crescer, estando cada vez mais activas na sociedade — prova disso são os eventos realizados em Coimbra aquando da celebração do 5 de Outubro, o jantar dos conjurados ou o congresso que decorreu no Porto no passado dia 14 de Maio de 2011. Todos estes eventos foram marcados pela adesão em massa dos associados, sendo digno de nota que estiveram presentes cerca de 800 pessoas no jantar que decorreu no Convento do Beato. Assim se verifica a qualidade dos eventos que só credibilizam e dignificam o nosso propósito que é a restauração da monarquia em Portugal.

Não obstante, um fenómeno assaz curioso e que merece reflexão é que me leva a escrever. Uma breve consulta ao Facebook permite-me encontrar as seguintes colectividades:

-Movimento Mil Cento e Vinte e Oito

-Movimento Monárquico do Ribatejo

-Movimento Independente Monárquico

-Centro Monárquico do Porto

-Movimento de Unidade Monárquica

-Monárquicos de Gaia

A lista continua, fica aqui esta breve amostra. Partindo do princípio que as ditas organizações têm materialização física, não se ficando pelo âmbito virtual, é de admirar que surjam tantas colectividades de forma espontânea quando há uma estrutura oficial e devidamente reconhecida e mandatada por SAR o Sr. D. Duarte, Duque de Bragança. Gostaria de deixar bem claro que não conheço estes movimentos, pelo que não sei em que contexto específico surgiram, contudo penso que seria importante os membros da direcção contactarem as Reais Associações das áreas em que se inserem, com o intento de esclarecer a sua posição. Não me parece benéfico que estas estruturas, se bem que com a melhor das intenções, desenvolvam as suas actividades “à margem” das estruturas oficiais. A meu ver, a melhor forma de os monárquicos se coordenarem é aderirem às Reais e oferecem os seus préstimos, que certamente serão bem recebidos. Reitero que não pretendo injustiçar nenhuma das colectividades anteriormente mencionadas, tratando-se meramente de uma sugestão.

Tendo dito, gostaria agora de me debruçar sobre uma organização em particular: o Centro Monárquico do Porto. Consultando o website http://noticias-cmp.blogspot.com/, verifico que os corpos sociais contam apenas com três pessoas: Rui Barandas, Sérgio Vieira de Carvalho e Diogo de Campos. Nunca me encontrei com nenhum dos três, apesar de já ter ouvido falar do Sr. Rui Barandas e do Sr. Sérgio Vieira de Carvalho. Quanto ao Diogo de Campos, abordou-me uma vez via Facebook. Se bem me lembro, reclamava vários títulos de nobreza, aos quais não tinha direito. Uma breve pesquisa na Internet permite encontrar o website http://sites.google.com/site/diogodecampos11/agenda no qual este jovem afirma ser descendente do Barão de Nova Sintra. Passo a citar:

“5 de Junho de 2011 - Diogo de Campos irá participar numa homenagem ao primeiro Barão de Nova Sintra, seu quarto avô; nas instalações do Colégio do Barão de Nova Sintra no Porto.”

Aproveito para informar que José Joaquim Leite Guimarães, primeiro e único Barão de Nova Sintra casou duas vezes, não tendo tido descendência de nenhum dos casamentos (vide ZUQUETE; Afonso; Nobreza de Portugal e Brasil; vol. 3, pág. 61).

À parte das pretensões nobiliárquicas sem qualquer fundamento e para não me desviar mais do cerne da questão, parece-me estranho que haja um Centro Monárquico no Porto, sabendo eu que há uma Real Associação (da qual sou associado). Se se tratasse de uma zona do país na qual não houvesse representação da Causa Real, até faria sentido que os portuenses se agrupassem num movimento. Não sendo o caso, não me parece que a sua existência faça qualquer sentido. Estes senhores participam num grupo intitulado “Queremos Uma Monarquia Democrática em Portugal”, no qual se encontram frequentemente críticas à Real Associação do Porto e à Juventude Monárquica.

Deixando bem claro que este texto reflecte a posição pessoal do autor e não destas estruturas (Real do Porto e Juventude Monárquica), aproveito para informar o leitor de que me sinto muito bem representado pela Real Associação do Porto e pela Causa Real. Assim sendo, as críticas que são publicadas no “Quero Uma Monarquia Democrática em Portugal” são, a meu ver, sem qualquer fundamento.

Dou por terminado o que pretendia que fosse uma breve nota e que acabou por se tornar num texto extenso com um bem-haja a todos os que trabalham para que o ideal monárquico se torne realidade.

Viva El Rey!



Henrique Sousa de Azevedo

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Prémio Diogo Vasconcelos

Foi com enorme satisfação que soube da criação do prémio Diogo Vasconcelos. Como sabem foi um dos nossos convidados há cerca de um ano e faleceu prematuramente em Julho deste ano. A iniciativa é da Universidade do Porto e a Associação Comercial do Porto que com este prémio homenageia a sua memória e que se destina a premiar empreendedores e empresas inovadoras. Uma homenagem mais do que justa e merecida!

Sábado, 27 de Agosto de 2011

Laughing together

"By laughing together we oil the wheels of society. To agree in our laughter is to agree in our judgments, and a shared joke is a much more effective way of filling a brief encounter than a shared remark about the weather, since it involves not just a belief but a evaluation. When you and I laugh together, we reveal to each other that we see the world in the same light, that we understand its shortcomings and finf them bearable. We are jointly "making light of" our burdens by vicariously sharing them." Comic stories and caricatures are central to traditional cultures precisely because they prompt this response, and a civilization which cannot laugh at itself - like Islamic civlization today - is dangerous, since it lacks the principal way in which people come to terms with their own imperfection".


Scruton, Roger. Culture Counts

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

Terça-feira, 26 de Julho de 2011

Da profundidade ideológica de Mao

“Zhang, de 53 anos, fora um funcionário de categoria média de Xangai que prendera a atenção de Mao devido à sua habilidade para produzir artigos que mascaravam as acções que serviam os interesses de Mao com paramentos marxistas. No início da Revolução Cultural, Mao promovera-o para o topo para executar a tarefa crucial de embrulhar a Purga em fraseologia ideológica. Zhang era a pessoa largamente responsável pelos textos que fizeram com que muitas pessoas na China e no estrangeiro albergassem ilusões sobre a verdadeira natureza da Revolução Cultural.”


Chang, Jung. Mao A História Desconhecida

Domingo, 17 de Julho de 2011

Roger Scruton - The Uses of Pessimism and the Danger of False Hope

Este vídeo deveria ser de visionamento obrigatório para qualquer político que se afirma como liberal. E posteriormente revisto com uma periodicidade mensal, comparando-se o que dizem defender e o que praticam...